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Comboio

Na gare da estação da Régua já aguarda, com toda a imponência, a locomotiva a vapor conhecida como “Comboio Histórico”. A inauguração do primeiro troão da Linha do Tua (que ligava Tua a Bragança) realizou-se a 29 de Setembro de 1887 e contou com a presença de El-Rei Dom Luís, da rainha D. Maria Pia, de vários ministros e convidados, salientando-se o artista Rafael Bordalo Pinheiro.
Foi um acontecimento histórico na época e ainda hoje o exemplar destas locomotivas continua a fazer as delícia de miúdos e graúdos que se atropelam junto à composição para ver os maquinistas a preparar a “máquina” para a viagem.
Carvão na fornalha, água na caldeira e o vapor começa a sair da chaminé. Controlada a pressão “se houver um violino até voa”, garante o maquinista em tom de brincadeira quando lhe perguntam se o comboio anda depressa. Mas seria preciso uma verdadeira orquestra para a locomotiva ganhar asas. Os 30 km do percurso entre a Régua e Tua demoram cerca de 2h30 a percorrer. A viagem é feita para apreciar a vista única do Douro e, além disso, tal como noutros tempos, é preciso parar pelo caminho para abastecer de água e lubrificar os mecanismos. A máquina queima cerca de 2500 quilos de carvão e três mil litros de água no percurso da Régua ao Tua e volta.
Cada paragem é motivo para mais uma reunião dos passageiros em torno da máquina. A caldeira ferve, os flashs não param. Mesmo ao longo de todo o percurso, as pessoas juntam-se às dezenas nas estações e apeadeiros para, literalmente, ver passar o comboio.
Mais do que palavras que a descrevam, esta é uma viagem que fica na memória de todos os que a fazem. Fica um conselho. Tal como antigamente, o vapor da máquina acaba por libertar partículas de carvão que deixam os passageiros pintalgados de negro. Nos tempos idos, quando não havia alternativa, os passageiros viajavam com uma muda de roupa para trocar na chegada ao destino.
Não será má ideia seguir o exemplo.

Em: Blog Comboios no sapo